Às 2h toca a sirene anunciando o início das negociações no Mercado de Pescados da Ceagesp, em São Paulo. Peixes estão expostos em tablados no chão chamados de 'pedra'. Os carregadores começam a tomar conta dos estreitos corredores transportando as 190 toneladas de peixes frescos comercializados diariamente no local: salmão do Chile, merluza argentina, cação uruguaio, atum brasileiro, sardinhas de toda parte.
Duas horas mais cedo, os primeiros funcionários já montavam seus módulos com tablados, caixas e balanças, à espera dos clientes, a maioria feirantes, compradores de restaurantes e proprietários de mercados. Ao todo, 85 empresas atacadistas vendem pescados na madrugada, a maioria de origem nacional.
Uma hora depois do início das negociações, o chão do mercado está praticamente inundado com a água do gelo derretido e todos, exceto os desavisados, usam galochas brancas acima da canela. Para quem não está acostumado, o cheiro é forte.
No balanço anual o mercado registrou a venda de 45.810 toneladas de pescados, mais de 3,8 mil toneladas por mês, segundo dados da Ceagesp. Ainda assim, o movimento é menor que o registrado em meados da década passada.
O ambiente no mercado é frio e úmido, e quase todos usam jalecos brancos. Os caminhões refrigerados a cerca de 5 graus negativos que levam os peixes até a praça de venda tornam o local gelado mesmo na época de calor.
A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) foi criada em 1969, mas estima-se que o mercado de pescados tenha surgido em 1972, embora não haja uma data oficial.
O PESCADO
Os preços dos peixes podem variar durante a semana, de acordo com a demanda, o abastecimento, e até mesmo a qualidade.
'Aqui não tem muito segredo, quem conhece chega e compra, não fica enrolando muito', disse um comprador que não quis se identificar. 'Em geral, o peixe é muito bom.'
A rede Nakombi, com três restaurantes japoneses em São Paulo, compra no mercado por causa do preço e da qualidade.
'A gente adquire uma grande quantidade para os restaurantes, então fica mais fácil a negociação', acrescentou uma representante do Nakombi.
Não se pode confundir o mercado com um supermercado. Embora qualquer um que tenha interesse possa ir lá fazer compras, há que se levar em conta que é um atacado e não dá para levar somente um 'peixinho'. Assim, o consumidor tem a opção de uma peça de cação de 20 quilos ou a caixa de sardinha inteira.
Os compradores, geralmente acompanhados de um carregador, passam pelos corredores vistoriando a mercadoria, perguntando preços e anotando tudo numa caderneta.
Fonte: ultimosegundo




